Pular para o conteúdo principal

A crueldade sem limites de Alexandre de Moraes

Há pouco tempo atrás, eu vi um trecho de um filme, onde as cenas iniciais se davam dentro de uma prisão soviética, ou num desses países da antiga cortina de ferro. O protagonista, um cidadão comum, e pelo que lembro, preso por fraude contábil, reclamava com um outro prisioneiro, o porquê dele ter um tratamento muito pior do que o de assassinos na cadeia. A resposta que lhe deram era porque ele era como se fosse um "inimigo do povo" por não ser um adepto do processo revolucionário que deveria construir o paraíso na Terra, e por conta disso ele estaria no nível mais baixo da hierarquia, numa posição inferior a de criminosos perigosos.

A mentalidade comunista que persegue opositores do regime, já chegou ao Brasil. Os réus do “08 de janeiro” e também Daniel Silveira já não possuem mais garantias constitucionais e nem mesmo têm os seus direitos humanos respeitados. São sub-humanos, inimigos do Estado Democrático de Direito. A lei comum não vale mais para eles.

O último absurdo, e ato de crueldade de Alexandre de Moraes, foi mandar prender na véspera de natal o ex-deputado federal Daniel Silveira por ele ter se atrasado no seu retorno para casa. Segundo Moraes, Daniel teria descumprido condições da liberdade condicional, isso uns poucos dias depois dele ter ganhado este mesmo benefício , em que pese as condições injustas e humilhantes que tal “liberdade” comportava. O ex-deputado não foi ouvido antes da expedição da ordem para ser reconduzido à prisão na véspera de Natal.

Vocês conseguem imaginar esse nível de covardia? Pensem na mulher e filhos de Daniel, e até mesmo nele, e toda a expectativa de se passar um natal em família completamente frustrada por uma simples canetada de Moraes.

O fato de Daniel ter se atrasado por conta de uma crise renal e de ter ido a um hospital, não importou. Ninguém do STF lhe tinha autorizado procurar serviço de urgência!

Não acredito que o alvo final de Alexandre de Moraes seja algum expoente do conservadorismo como, Filipe Martins, Daniel Silveira, Braga Neto, ou mesmo Bolsonaro, para mim tudo isso parece ser apenas um balão de ensaio.  Depois de se derrubar o líder do movimento conservador, que em tese seria o obstáculo mais difícil, porque imaginar que  Alexandre arrefeceria em sua sanha persecutória? Não seria muito mais crivel e lógico imaginar que ele partiria para cima de toda a divergência que colocaria em xeque o seu autoritarismo? E porque não imaginar que os mais perseguidos, seriam justamente os católicos bem formados,  que sabem exatamente que o poder supremo não está nas mãos de um tirano, mas que toda lei humana deve ser fundamentada na Justiça e não contrariar a Lei Natural?

Obviamente que Alexandre não estaria sozinho caso realmente quisesse embarcar numa empreitada de tamanha magnitude. Ninguém iria tão longe, após inúmeras presepadas e abusos, sem um considerável apoio, ainda que velado. Moraes representa (talvez informalmente), os anseios de uma certa oligarquia ameaçada que talvez veja nas humilhações e achaques que ele impõe sistematicamente a algumas lideranças de direita, como Daniel Silveira, uma forma de encurralar e inibir toda voz dissonante do atual consórcio que tomou o poder no Brasil.

Tanta perseguição, porém, mais do que um sinal de força, poderia ser, um misto de medo e desespero de quem parece ter percebido que o seu tempo de tirania impune estaria se esgotando. O tempo dirá.

Luciano Perim Almeida


Comentários

  1. Daniel Silveira teria que estar nos EUA, só cadeira elétrica para acabar com tipo de gente igual a ele. Vá ler sobre esse canalha antes de usar seu cristianismo em perdão e achar que Alexandre de Morais é um comunista e que só toma atitude impiedosa.voce já pensou se fosse o contrário. O Lula já estaria morto. Esse povo da destruição do Palácio tem que ficar de molho,mostrar que o Brasil tem leie que não será um soldado e um cabo que destruirão nossa constituição. Salve w Ulisses Guimarães.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Seu comentário corrobora meu artigo de opinião.

      Excluir
  2. Já ouviu falar a frase " ficou a ver navios?" Estamos igual a 1492 quando judeus foram expulsos de Portugal e encaminhados ao porto de Lisboa para seguirem para o exílio onde navios os levariam. Ao chegarem, "ficaram a ver navios" porque foi um cilada, muitos mortos, outros fugiram tendo seus filhos roubados e doados para serem escravos. Não parece a mesma cilada de 8 de janeiro? Tiraram um preso condenado da cadeia e prenderam o povo brasileiro, que em seu direito constitucional, fez um movimento pacífico, digno e democrático. LIBERDADE E ANISTIA para 8 de janeiro.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu posso estar errado, mas a expressão "ficou a ver navios" não teria mais a ver com o general da tropa napoleônica que foi surpreendido pela evasão de D. João VI e sua corte em 1808?

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

"Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram" (São Mateus, 2, 11b.)

Este pequeno mas importante versículo narra a primeira atitude que os Magos tiveram diante do menino Jesus, ao encontrá-lo em Belém, após uma exaustiva e duradoura viagem. Iluminados pelo Espírito Santo, viram mais que um simples menino, mas o Deus encarnado, o Deus menino. Uma vez que reconheceram Deus, o que fizeram? Se prostraram diante Dele. Deus merece a nossa adoração, e só Deus merece a nossa adoração, e como não somos apenas espírito, mas também temos um corpo, devemos adorar a Deus com todo o nosso ser, com nossa alma, e também com o nosso corpo.  O ajoelhar-se sempre foi na Igreja um gesto de adoração a Deus. Tanto é assim que na consagração, momento mais solene e importante da Santa Missa os fiéis se põem de joelhos diante do Deus que vem até nós nas espécies do pão e do vinho. Na antiga liturgia, o ajoelhar-se era ainda mais frequente, ocorrendo inclusive no início e no final da Santa Missa. No entanto, nos últimos tempos, o ajoelhar-se diante de Deus, tem incomodado al...

Um grito iníquo ecoou na Catedral da Sé.

Vivemos tempos diferentes. Tempos que nos fazem enxergar a realidade com uma crueza que jamais poderíamos sequer imaginar. As narrativas dominantes do passado se confrontam com fatos atuais e se espatifam diante da realidade que se impõe.   Depois que a esquerda dominou as universidades, a grande mídia, e alcançou postos importantes no Judiciário e Ministério Público, além, é claro, de ter chegado ao mais alto cargo do Executivo do país, ficou muito mais fácil limpar a barra do pessoal que queria nos anos 60 implantar a ditadura do proletariado, mas que hoje diz ter lutado pela democracia. Paradoxalmente, entre os anistiados do passado, há também aqueles que hipocritamente gritam a plenos pulmões o infame mantra “sem anistia” para aposentados, velhos, cabelereiras e donas de casas que cometeram o terrível “crime” de estar na hora e local errados no fatídico “08 de janeiro”.   Se isso já é o suficiente para enojar qualquer cidadão de bem, infelizmente, a coisa pode piorar,...

Parem de gastar vela com o defunto ruim da Dosimetria.

Ao  mesmo  tempo   que a Venezuela, por pressão americana, começa a dar passos em direção à anistia dos  seus  presos políticos, o nosso ano parlamentar  está se  inicia ndo  com o cadáver insepulto da Dosimetria  ainda  na sala , melhor dizendo, no Plenário.   Esse defunto, morto  pelo veto de Lula,  mas ainda não  enterrado ,   encontra  simpatizantes  até  mesmo  entre os nomes mais expressivos da nova direita, como   Níkolas  Ferreira,  por  exemplo, que  em meio  à  sua caminhada até Brasília, elencou a derrubada do veto de Lula como uma de suas prioridades  nesse ano.   Para mim  sempre foi  difícil entender como que parlamentares conservadores não consegu iram  enxergar o óbvio , nesse caso .  Ainda que possam ser movidos por verdadeira compaixão pela promessa de rapidez com que a dosimetria resolveria os problemas  i...