Pular para o conteúdo principal

Parem de gastar vela com o defunto ruim da Dosimetria.


Ao mesmo tempo que a Venezuela, por pressão americana, começa a dar passos em direção à anistia dos seus presos políticos, o nosso ano parlamentar está se iniciando com o cadáver insepulto da Dosimetria ainda na sala, melhor dizendo, no Plenário. 

Esse defunto, morto pelo veto de Lula, mas ainda não enterrado, encontra simpatizantes até mesmo entre os nomes mais expressivos da nova direita, como Níkolas Ferreira, por exemplo, que em meio à sua caminhada até Brasília, elencou a derrubada do veto de Lula como uma de suas prioridades nesse ano. 

Para mim sempre foi difícil entender como que parlamentares conservadores não conseguiram enxergar o óbvio, nesse casoAinda que possam ser movidos por verdadeira compaixão pela promessa de rapidez com que a dosimetria resolveria os problemas imediatos dos presos e perseguido do “08 de janeiro”, é preciso olhar a realidade de uma maneira mais ampla e com toda a calma e cuidado que a matéria exige. Nem tudo que é rápido é bom, e se tratando de leis, é preciso aumentar a cautela. O desespero nunca foi o melhor conselheiro. É compreensível a ansiedade e dor de presos e de seus parentes, mas os legisladores, até porque estão de fora, precisam ter um olhar mais crítico sobre o contexto envolvido. Apenas progredir no regime de penas, mantendo condenações, como por exemplo, Abolição Violenta do Estado Democrático de Direito, Golpe de Estado e Associação Criminosa/Conluio, para quem no máximo cometeu alguns atos de vandalismo, ou, às vezes, nem isso, é muito pouco. Quantos que entraram em prédios públicos apenas para rezar ou então para se refugiarem, fugindo de bombas de efeito moral lançadas pela polícia?   

Ainda existem outros agravantes notórios. Uma anistia, com anulação de todas as penas injustas, deixaria claro para todos, inclusive internacionalmente, que o STF cometeu vários excessos e arbítrios (para se dizer o mínimo) o que ensejaria, talvez em médio prazo, em responsabilizações que atingiriam em cheio a Suprema Corte, sobretudo Alexandre de Moraes. Toda essa articulação poderia, em tese, servir mais como escudo para aqueles que sabem que deram um passo maior que a perna, ao aplicar penas a torto e a direito, do que propriamente ajudar condenados. Ver Temer se mobilizando mais uma vez (lembrem-se de cartinha de setembro de 2021!), para salvar a nossa combalida democracia deveria dar arrepios a qualquer brasileiro mais atento, mas sobretudo em parlamentares da direita. 

Fato é, que o primeiro fruto podre da Dosimetria não demorou muito para aparecer, e foi logo na sequência dsua aprovação na Câmara. Impressionante que o governo americano não tenha esperado nem mesmo a chancela do Senado para suspender Magnitsky de Moraes, que horas depois de ser beneficiado, se apresentou para palestrar num evento de lançamento de um canal de notícias em Osasco-SPPara quem esperava uma ação mais firme de Trump contra a tirania no Brasil, o gosto amargo na boca se tornou indisfarçável.  

Nikolas Ferreira e demais precisam recordar que uma verdadeira pacificação do país não nascerá de acordos pouco transparentes de figurões de uma República carcomida e com a credibilidade seriamente comprometidaainda que tais acordos tenham algum tipo de apoio tácito de potências estrangeiras. A paz como sabemos é fruto da justiça e não de compadrios. 

Enquanto não houver anulação desses processos injustos e absurdos que criminalizaram na prática um posicionamento político, não nos contentemos com ninharias e subterfúgios diversionistas. Parlamentares do Brasil, não gastem vela com defunto ruim, esqueçam a Dosimetria e concentrem-se com redobrada determinação naquilo que ainda está muito longe do ideal, mas que ao menos se aproxima de um mínimo aceitável: a anistia. 

Luciano Perim Almeida 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

"Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram" (São Mateus, 2, 11b.)

Este pequeno mas importante versículo narra a primeira atitude que os Magos tiveram diante do menino Jesus, ao encontrá-lo em Belém, após uma exaustiva e duradoura viagem. Iluminados pelo Espírito Santo, viram mais que um simples menino, mas o Deus encarnado, o Deus menino. Uma vez que reconheceram Deus, o que fizeram? Se prostraram diante Dele. Deus merece a nossa adoração, e só Deus merece a nossa adoração, e como não somos apenas espírito, mas também temos um corpo, devemos adorar a Deus com todo o nosso ser, com nossa alma, e também com o nosso corpo.  O ajoelhar-se sempre foi na Igreja um gesto de adoração a Deus. Tanto é assim que na consagração, momento mais solene e importante da Santa Missa os fiéis se põem de joelhos diante do Deus que vem até nós nas espécies do pão e do vinho. Na antiga liturgia, o ajoelhar-se era ainda mais frequente, ocorrendo inclusive no início e no final da Santa Missa. No entanto, nos últimos tempos, o ajoelhar-se diante de Deus, tem incomodado al...

A fala indigna de Hugo Motta e a perigosa invisibilidade dos brasileiros perseguidos pelo regime

Foi com profundo asco e indignação que ouvi o pronunciamento do presidente da Câmara, no último dia 19, por ocasião da comemoração dos 40 anos da redemocratização do Brasil. Como se fosse um boneco de ventríloquo do sistema, Motta foi discorrendo uma série de abusos e perseguições perpetradas por Alexandre de Moraes, nos últimos tempos, mas sempre precedidas por um inacreditável “não tivemos”. Se eu não tivesse visto essa cena acintosa, teria dificuldade em acreditar . Até pode ser possível que Hugo Motta tenha estado numa bolha intransponível nos últimos 5 ou 6 anos, o que sem dúvida, o desabilitaria completamente para ser o presidente de uma casa legislativa, mas a ideia de que ele simplesmente teria agido como mais um agente do sistema que estaria dando a sua contribuição para a consolidação da ditadura de toga e ao mesmo tempo para o seu disfarce,  me parece muito mais crível , lógico e grave. Fato é que subimos de patamar em termos de ditadura. Além da velha mídia, bem pa...

O Brasil despertava há exatos 10 anos.

Fonte: Facebook  Há exatos dez anos, 15/03/2015, o Brasil se levantava para se manifestar de maneira pacífica, ordeira e patriótica contra os desmandos, corrupção e o sequestro de uma nação que a quase todos incomodava e esgotava. Tive a alegria de estar naquela tarde de domingo na Praça do Papa, em Vitória-ES, onde milhares (100.000 aproximadamente!) de espírito-santenses num incrível clima de paz, harmonia e patriotismo verde-amarelo mandaram o seu recado, junto com outros milhões de brasileiros que tomaram as ruas pelo país inteiro. Foi naquele dia que cerca de 30.000 vila-velhenses atravessaram a Terceira Ponte. Foi lindo, inesquecível, de arrepiar! O Brasil de hoje, vítima do Consórcio STF-PT, protegido pela velha imprensa,  parece estar há décadas de distância daquele 15/03. Hoje a tirania e o medo imperam e poucos ousam levantar a voz contra a opressão que vem dos poderosos. O crime deita e rola na nação que prende e condena pais e mães de famílias inocentes e patriotas...