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A maior lição da Copa de 2026.




(Obs: Este artigo foi escrito antes da final da Argentina com a Espanha, que acabou por confirmar algumas das ideias contidas nele, mas mesmo assim e, felizmente, a Espanha se sagrou campeã para o bem do futebol).
Está acabando mais uma Copa do Mundo. Depois de um pouco mais de um mês, aquele que é considerado o maior evento de entretenimento do nosso tempo, está saindo de campo mais uma vez. Penso que, quase todos nós temos algumas recordações das Copas do Mundo passadas,  momentos inesquecíveis com pessoas queridas, decepções futebolísticas, alegrias com a Seleção (para os mais velhos!)  e por aí vai. Fato é que a Copa tem a capacidade de envolver milhões de pessoas ao redor do mundo, e tudo aquilo que gira em redor dela, transcende em muito o futebol.
Posto isso, fico a me perguntar, se a Copa com toda a sua audiência e influência não poderia também ser utilizada pelos grandes e poderosos desse mundo como uma singular ferramenta de controle social, para influenciar e moldar comportamentos, funcionando como um verdadeiro balão de ensaio para medir a reação ou passividade do povo. Vejam bem, isso é apenas um pensamento, uma hipótese que levantei, uma possibilidade, não uma acusação direta.
Uma das coisas que mais me chamou a atenção desde o início dessa Copa, foi a grande ênfase nos recursos tecnológicos como, por exemplo, o uso extensivo do VAR para revisar a arbitragem, o impedimento semiautomático, e também o alardeado chip ultrassensível dentro da bola. Tudo isso foi vendido como um avanço inexorável do nosso tempo, um verdadeiro caminho sem volta, algo que traria benesses para os praticantes e telespectadores do futebol. Mas será que as coisas ocorreram desse jeito?
Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que, por mais que se alegue uma neutralidade das tecnologias, isso de fato não existe, porque em última instância quem parametriza esses instrumentos é o próprio homem, e quem decide se tais recursos vão ou não ser utilizados ou como o serão, também é o homem. Ou seja, a tecnologia pode muito bem ser usada como uma espécie de máscara, ou um tipo de camada, que impede que vejamos a mão humana e seus interesses por trás das decisões, às vezes polêmicas, servindo muitas vezes para calar as discussões que, em tese, seriam infrutíferas, uma vez que se estaria brigando com objetividade pura e simples de um computador.
Durante a Copa tivemos exemplos de como gols, alguns no finalzinho do jogo, foram anulados por milímetros, gerando dor, discussão e uma forte sensação de injustiça nos jogadores e torcedores. Os gols do Irã e da Croácia são exemplos claros disso. O caso da Croácia é ainda mais ilustrativo, o raspar da bola no cabelo de um croata, que não alterou a direção da bola, foi detectado pelo tal chip da bola, contrariando as imagens, a percepção humana, o bom senso e até mesmo a regra da Fifa, mas para muitos, se o chip com seu “ecocardiograma” falou, tá falado, e não se discute mais nada. Duro mesmo foi ver os jornalistas esportivos abraçando essa ideia e com isso convencer muitos telespectadores. Para piorar, nem mesmo quando a bola no jogo da Inglaterra foi claramente desviada após um tiro de meta do goleiro norueguês (possivelmente por um cabo ou câmera), o que fez com que a bola caísse no pé de um jogador inglês, contribuindo diretamente para o gol da seleção inglesa na sequência, fez com que o juiz não anulasse o gol inglês e a explicação dada para a validação do gol foi que o famoso chip (que é bom em perceber cabelo croata!) não mediu esse desvio!
Mas a coisa não parou por aí. Teve também o gol do Egito, mal anulado por uma discutível falta há 80 metros (!) da meta argentina, gol este feito após a construção de uma belíssima jogada por parte dos jogadores egípcios, o que deu muito que falar. A Suíça que dominava o jogo contra a Argentina, logo após fazer o seu gol de empate teve o seu melhor jogador expulso numa simulação no meio de campo, por causa de uma nova regra, ainda mal compreendida por muitos. A Ironia é que a expulsão do suíço por simulação tenha se dado exatamente contra a Argentina, cujos jogadores são famosos por catimbarem nos seus jogos, levando os adversários ao limite emocional.
Também poderia escrever sobre os poucos cartões amarelos dados para os jogadores argentinos, pelas faltas que fizeram e não foram marcadas, pelos três pênaltis que foram marcados contra os seus adversários (número não superado por nenhuma outra seleção), pela não expulsão do Lautaro após a comemoração do segundo gol contra a Suíça, o que permitiu que ele jogasse contra a Inglaterra e ainda fizesse o gol da vitória sobre os ingleses, e ainda teve o caso do jogador argentino que não ficou um minuto fora de campo por causa de atendimento e que o árbitro só autorizou o reinício da partida após o retorno deste em campo, e por aí vai.
Tudo isso que eu detalhei acima, em relação à Copa do Mundo serve para corroborar a ideia de que nada adianta grandes recursos tecnológicos que mapeiem cada milímetro de um campo de futebol, se estes não forem usados com critérios claros, perícia ou retidão, repito, a tecnologia é apenas um instrumento que pode ser bem utilizado, ou não. Na verdade, num cenário de decadência moral no qual nos encontramos atualmente no mundo, particularmente no Ocidente secularizado e em parte, niilista, o uso de ferramentas tecnológicas pode muito bem, longe de atender demandas reais de justiça e segurança por parte da população, agravar o nosso presente quadro, e se tornar num cenário de baixa crítica e de crença ingênua num falso conceito de ciência, um poderoso instrumento de controle e opressão por parte de uma elite tecnocrática, que teria, então, os meios necessários para se impor sobre uma maioria, que muito provavelmente, apenas tardiamente perceberia a cilada na qual caiu.
Em tempos de tecnologias e de inteligência artificial, vigiemos para não nos desumanizarmos e também para que não sejamos escravizados por tais instrumentos.
Luciano Perim Almeida

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