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Resistir à tirania é legitimo, mas como identificá-la em nossos dias?

 A atual mentalidade pacifista demoniza de maneira radical e absoluta a guerra (que  realmente é algo em si muito duro, e não desejável),   desconsiderando, talvez   propositalmente,  até  mesmo o conceito  de guerra justa, derivação e ampliação  do direito  à legítima defesa.  Na verdade, é  de se supor que seja muito conveniente para tiranos e afins que o pacifismo domine completamente todas as mentes, porque dessa forma tais déspotas poderiam tranquilamente continuar a oprimir seus povos e nações sem uma resistência organizada e legítima.

Uma outra dificuldade do nosso tempo é um aparente desinteresse em atualizar o conceito de tirania. É muito cômodo e fácil julgar os antigos reis absolutistas que não existem mais, e em nossas ilusões achar que as nossas democracias liberais não corram semelhantes riscos, mas será isso verdade? Não nos esqueçamos do "covidismo".
O nazismo e comunismo deixaram marcas profundas e ainda latentes em nossas memórias. Toda opressão física e descarada poderia despertar uma rápida reação de uma sociedade cansada e traumatizada por tamanhos horrores. Mas será que existe apenas uma forma cruenta de se tiranizar povos e nações? Vejamos, por exemplo, a China Comunista. Não se ouve falar muito em derramamento de sangue neste país comunista, mas o povo segue oprimido e sem capacidade de reação diante das vilanias e tiranias dos comunistas, graças principalmente a um bem elaborado e difundido sistema de vigilância e de crédito social, que pune com rigor os críticos do regime. Esse sistema brutal, mas ao mesmo tempo discreto, de opressão tem sido replicado em alguma medida no mundo ocidental. A imposição do politicamente correto, a extrapolação dos conceitos de “fake news” e “discurso de ódio” tem sido utilizado para calar e punir todos àqueles que não se adequaram a nova moralidade imposta pela ONU, poderosos grupos midiáticos, redes sociais, e várias fundações internacionais que por saberem que não poderiam levar a melhor num debate racional e livre, preferem simplesmente eliminar o debate, marginalizando qualquer opinião que não se enquadre no mainstream globalista, como por exemplo, todos aqueles que defendem uma precedência da lei natural em relação à mentalidade positivista e socialista que infestaram o atual Ocidente.
Resumindo: atualizar o conceito de tirania e relembrar a legitimidade de resistir-lhe até mesmo com armas em algumas situações  específicas (cf. Catecismo da Igreja Católica no parágrafo 2243), deveriam ser consideradas, na minha opinião, tarefas relevantes em nosso tempo. O fato de uma tirania não estar sendo exercida de maneira aparentemente cruenta e também não estar tendo a devida repercussão midiática, não quer dizer que ela de fato não exista. O sapo não percebe a água esquentando na panela, até que morra. O atual genocídio dos nascituros (incluindo os que estão da sua fase mais inicial: embriões humanos) é um exemplo de quão silenciosa pode ser uma tirania relativista global.
É preciso resistir o quanto antes à tirania anticrística e anti-humana que muito já avançou sobre o mundo. Reformar a própria vida com o auxilio de Deus é o primeiro e mais importante passo a ser dado para podermos também salgar a sociedade com o nosso  importante e corajoso testemunho cristão. Que o bom Deus nos dê força, sabedoria e coragem nessa grave hora pela qual a humanidade está passando. Lembremo-nos sempre do alerta de Nosso Senhor: "Sem mim, nada podeis fazer." (São João 15, 5.)
Luciano Perim Almeida

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