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Católicos, não esmoreçam, ainda que as traições se multipliquem!

Nosso Senhor nos avisou que os escândalos seriam inevitáveis, mas também alertou sobre as graves consequências que pesariam sobre àqueles que os causariam.  Por isso, a atitude que devemos ter em relação aos escândalos não deve ser nem conformista, nem desesperadora. Eles virão, e devemos vigiar e contar com a graça de Deus, para que nós mesmos não sejamos os seus causadores.

Falemos um pouco sobre as traições  de Pedro e Judas. É preciso clarear uma importante diferença entre os pecados destes apóstolos, que infelizmente em nosso tempo tem sido desprezada, ou pelo menos minimizada. Ambos os apóstolos, assim como nós, eram homens frágeis, limitados, e marcados pelas consequências do pecado original. Ambos, cada um ao seu modo, traíram a Jesus, mas o que os difere nessas traições?

Pedro amava o Senhor, embora fosse fraco, realmente amava Jesus. Por três vezes negou o Senhor porque confiou mais em suas forças do que em Deus, e por isso caiu. Deus permitiu sua queda fosse registrada nas Sagradas Escrituras, também para nos ensinar que somos fracos e completamente dependentes de Deus. “Sem mim nada podeis fazer”, já nos avisava o Senhor. O mais importante, Pedro se arrependeu amargamente de sua falta e confiou na misericórdia do Senhor.

Judas era interesseiro, apegado ao dinheiro, e muito provavelmente, alimentava uma visão messiânica meramente terrena, como a restauração política do reinado de Israel. Em algum momento, infelizmente, julgou que Jesus não mais correspondia às suas expectativas, e o entregou aos judeus por 30 moedas de prata. Seu crime e pecado, foram premeditados. Seu pecado teve um componente que não foi achado na negação de Pedro, e que por ir além da própria fraqueza, o torna muito mais grave e  perigoso: a malícia. Além disso, caiu em desespero, crendo erroneamente que sua falta não encontraria perdão.

Na Igreja, sempre encontraremos homens como Pedro (fracos, mas que depois se arrependem e podem se tornar santos) e Judas (maliciosos, fingidos, e traidores que usam do ofício principalmente para o seu proveito pessoal); Pedro está no Céu, junto de Deus, Judas, que num ato de desespero se enforcou, no inferno, segundo um entendimento antigo da Igreja, uma vez que ele é o “filho da perdição”.

Mas porque Jesus escolheu Judas? Essa pergunta sempre povoou a mente dos cristãos. Entre outras razões, podemos dizer que Nosso Senhor escolheu Judas também para mostrar que a Igreja, ao longo dos séculos, teria traidores entre os seus membros, e que isso longe de nos desanimar, deveria nos impelir a confiar mais na graça de Deus, para que ela renove em nós a esperança Naquele que sempre saberá tirar o bem do mal.

Não somos católicos por causa dos homens. Somos católicos porque o Deus único e verdadeiro, Nosso Senhor Jesus Cristo, fundou a sua Igreja, e a fez sacramento de salvação para o mundo inteiro.

Assim como não paramos de comer pão, porque nos chateamos com o padeiro, o mau testemunho dos católicos, mesmo dos pastores, não pode e nem deve nos desanimar, porque a Igreja é de Cristo, e o seu amor é infinitamente maior do que quaisquer pecados dos membros da sua Igreja e além disso,  "as portas do inferno não prevalecerão".

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