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Francisco, opiniões pessoais e simpatias

“O poder conferido por Cristo a Pedro e aos seus sucessores é, em sentido absoluto, um mandato para servir. O poder de ensinar, na Igreja, obriga a um compromisso ao serviço da obediência à fé. O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus.”

(Homilia do Papa Bento XVI em 07/5/2005 na Basílica São João de Latrão)

É muito comum o Papa Francisco manifestar suas opiniões pessoais em público, em especial nas entrevistas em aeronaves. O que para qualquer pessoa seria algo corriqueiro, no caso do Papa ganha enormes proporções pela envergadura e singularidade do ministério que ele exerce. O que torna essa situação especialmente problemática, é que muitas vezes, uma mera opinião pessoal do Pontífice, sobre os mais variados assuntos, é percebida pelos fiéis como um ato próprio de Magistério, sobretudo pela grande repercussão midiática de suas falas.

Como exemplo, recordemos a resposta de Francisco a uma jornalista da Globo no retorno da Jornada Mundial da Juventude no Rio em 2013. A repórter fez uma pergunta a respeito dos homossexuais, e foi ali no avião que surgiu o famoso: “quem sou eu para julgar?” que infelizmente, depois, virou mantra até mesmo para alguns movimentos LGBTs que rapidamente se apropriaram da fala do Papa para  defender  bandeiras abertamente anticristãs como a legitimação e normalização da sodomia.

Suas entrevistas em sequência para Eugenio Scalfari, um jornalista militante ateísta, fundador do jornal italiano “La Republica”, causaram estranheza e incômodo nos círculos católicos. Embora o Papa seja livre para falar com quem quiser, não deixa de ser intrigante a proximidade de um Papa com um dono de jornal historicamente tão crítico à Igreja.

Tudo isso são coisas que tem impactado o meio católico. Como entender, por exemplo, que Jeffrey Sachs, um conhecido neomalthusiano, defensor de severo controle de natalidade e mesmo do aborto tenha se tornado um palestrante assíduo no Vaticano? Isto nunca fez o menor sentido, estamos em fronts completamente opostos.

Fato é, que os gostos pessoais e simpatias do Santo Padre tem ocupado um lugar de muito relevo no atual pontificado, o que é no mínimo, algo incomum, para não dizer desaconselhável, conforme citação de Bento XVI no início do artigo.

Várias vezes Francisco permitiu-se encontrar com presidentes socialistas e abortistas como Evo Morales e Obama, por exemplo, e há quem diga que isso é algo inevitável, porque o Papa além de ser um líder religioso, é também chefe de estado, e tal. O problema é que abundam imagens em que ele se mostrou muito à vontade, entre sorrisos, com essas lideranças que possuem agendas fortemente anticristãs, o que numa época em que a imagem é supervalorizada, isso se torna muito preocupante, porque poderia causar escândalo e confusão para muitos fiéis, em especial nos mais simples e manipuláveis, que poderiam interpretar tais imagens, como uma relativização do mal praticado por aqueles que se encontraram com o Papa.

O que resta a nós, fiéis católicos, nessa hora em que uma grande confusão parece ter chegado ao cume da Igreja? Primeiro: devemos intensificar nossas orações para que o Santo Padre se mantenha firme na sua missão de nos confirmar na Fé. Segundo: devemos nos aprofundar na doutrina da Igreja para que não sejamos confundidos em meio à tão grande tempestade. Terceiro: cultivemos o devido respeito e amor pelo Romano Pontífice, como a Igreja sempre nos pediu. E por último e mais importante: mantenhamos firmes a nossa confiança em Jesus porque Ele caminha conosco e jamais nos deixará desamparados.

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